A elevada incidência de furtos de hidrômetros em Itabuna acendeu um alerta nas autoridades municipais. Apenas nos dois primeiros meses do ano, 68 equipamentos foram furtados, provocando prejuízos financeiros, desperdício de água tratada e impactos diretos à população. Diante do cenário, representantes da Polícia Civil da Bahia, da Secretaria Municipal de Segurança e Ordem Pública (SESOP) e da Empresa Municipal de Águas e Saneamento (EMASA) se reuniram no Complexo Policial para definir estratégias integradas de enfrentamento.
O encontro contou com a presença do delegado Miguel Cicerelli, responsável pela Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos, além de gestores da segurança pública e representantes da EMASA. O foco é identificar não apenas os autores dos crimes, mas também o receptador, figura central na cadeia de comercialização ilegal de equipamentos públicos. Pelo Código Penal Brasileiro, o crime de receptação dolosa pode resultar em pena de 1 a 4 anos de prisão, além de multa — podendo chegar a 8 anos quando envolve atividade comercial.

Os dados revelam concentração no centro da cidade (35 casos), seguido por bairros como Santo Antônio, Pontalzinho, Zildolândia e Jardim Grapiúna. A EMASA se comprometeu a fornecer a geolocalização dos pontos afetados, além de solicitar imagens de câmeras de segurança dos moradores. A estratégia é usar inteligência territorial para acelerar as investigações e mapear possíveis rotas de escoamento do material furtado.
A discussão também trouxe à tona um ponto sensível: a possível relação entre os furtos e a vulnerabilidade social. Será solicitado à Secretaria de Promoção Social levantamento cadastral de pessoas atendidas pelo Centro POP. No entanto, especialistas alertam que o enfrentamento deve ir além da repressão, combinando políticas públicas de segurança, assistência social e combate ao mercado ilegal. Afinal, o furto de hidrômetros não é apenas um crime patrimonial — é uma ameaça à infraestrutura urbana, à gestão de recursos hídricos e ao bolso do cidadão 💧.



